De todos os animais ferozes ou peçonhentos, fenômenos naturais ou tragédias o que mais me aterroriza, sem a menor sombra de dúvida, é o oceano. Sim, o oceano. Mesmo nos dias de calmaria, os quais dão origem as mais belas paisagens. A incerteza da sua real dimensão, do seu conteúdo e da sua vontade me angustia. Não se pode pedir trégua ao oceano, hastear a bandeira branca, agir em legítima defesa. Com ele não tem conversa nem saída. Pedidos de socorro podem ser exclamados horas a fio em vão. Ele é surdo ou, no mínimo, indiferente.
O oceano é o substrato perfeito para meus devaneios mais terríveis. A sensação de impotência, medo e pequenez que ele me traz é quase do tamanho da sua infinitude. Me sinto um grão de areia, uma gota d'água ou algo qualquer e insignificante.
Só lá, a deriva, consigo entender o quanto sou mortal, como minha existência é passageira e quem realmente sou.
Déh.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
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