" ... Estive muito tempo perdido, sem o saber. Sem fé, a gente é livre e essa é, a pricípio, uma sensação agradável. Não existem questões de consciência, nem sujeições, exceto as sujeições impostas pelos costumes, pelas convenções e pela lei, mas essas são bastante flexíveis para a maioria dos propósitos. Só mais tarde e´que chega o terror. É-se livre - mas livre em meio ao caos, num mundo inexplicado e inexplicável. É-se livre, num deserto, do qual não há recuo senão pra dentro, para o âmago oco do nosso próprio ser. Nada há sobre que se construir, salvo a pequena rocha de nosso próprio orgulho, e isso é um nada, baseado em nada...
Penso, logo sou. Mas que sou eu? Um acidente de desordem, indo para parte alguma..."
Ontem pela madrugada terminei de ler, finalmente, "O advogado do Diabo" ( Morris West), livro que comecei a folhear no começo de janeiro. Confesso que o final do livro não me surpreendeu em quase nada ( salvo pela morte inesperada de um dos personagens) mas o romance como um todo me cativou pela sua profundidade e sabedoria. Serviu para que eu refletisse sobre temas que a muito me intrigavam mas que eu não dava a atenção necessária. Marquei vários parágrafos ao longo de todo o texto, mas penso que foi esse (supracitado)o que melhor sintetizou toda a sua idéia.
Déh.
domingo, 1 de março de 2009
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